terça-feira, 16 de março de 2010

OLHA,

se no caminho de volta você se perdeu, sinto dizer, o problema é seu. é seu problema de nunca compreender o que eu digo. é seu o problema de se fixar em rimas e palavras fáceis, insistindo em poemas que já não fazem mais o menor sentido. eu queria que, pelo menos uma vez, você percebesse que quando peço para que parta, na verdade, eu desejo que você pegue este mesmo cavalo e dispare contra o tempo dentro de mim. eu queria que você jogasse fora os morangos mofados, cansados de sangrar este amor que não mais nos nutre. eu queria que você pegasse todo o sentimento que um dia sentiu por mim e o jogasse fora, como lixo. traduzo: quando digo isso, estou dizendo: sofro por ti, volte a me amar, liga pra mim não, não liga pra ele. agora todas as nossas conversas vão precisar de um intérpreti. o nosso amor é de oscar e o prêmio nunca vai para ninguém. não tem vestido com volume, não tem lamê nem costurinha. tem tecido cru, corte reto, saia lápis sedução e cansaço. tem linha agulha costureira velha máquina tramanda tremedeira. nosso amor é de circo de palhaço sem grandes números. é de feira sem morango. só caqui melão laranja e maçã. nosso amor é coisa simples e, por isso pensei que você fosse capaz de compreendê-lo. decifrá-lo. mas não.




derretendo.

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