domingo, 28 de março de 2010

em sequência...

chorei a chuva do dia, chorei o helicóptero caído, a Dominique e o Diogo presos sem poder sair de casa, o peixe sem lar, o cabo com entrada errada, o projetor, a falta de escuta, chorei muito as músicas, o nosso cansaço, o dia que não tinha forças mas vocês me lembraram que a falta de força era um sinal de estar viva, o dia de ressaca, o dia em que não consegui pensar, o dia que as coisas não fizeram sentido e depois o dia que descobri o quanto isso era bom, o dia em que descobri um sentido, o dia em que nos jogamos sem ver sentido algum, o dia em que nos atiramos. Chorei o dia em que fiz uma descoberta. O dia em que pensei no amor, na dor, no cotidiano, na fragilidade e na violência. Chorei um roxo no joelho, um pé torcido. Chorei o dia que faltei, chorei o dia que éramos só nós, chorei o dia em que tinha gente demais, chorei o dia que fiquei cega. Chorei as mãos doces do Caio, chorei a Patricia. Chorei o movimento. Chorei a ilha de edição, chorei a Juliana, o Capello, a Maíra. Chorei o celular e o Ricardo. Chorei o mal entendido, a exaustão, a agenda. Chorei a Estela. Chorei a carona e a Carolina. A falta de sensibilidade e a sensibilidade. Chorei acordar do seu lado. Chorei noite sem dormir. Chorei niterói. Chorei os amigos. Chorei quem dançou com a gente. Chorei agora o Di, Dóds e Dire. Chorei sempre o Caio. Chorei o dia em que fui salva por você. Chorei o café, Chorei a discussão e a falta de discussão eu chorei mais ainda. Chorei a manhã em que pensei que tudo tinha sido em vão. Chorei o vão. Chorei roupas sujas. Chorei o peso das bolsas, Os livros, os morangos mofados, os textos e as xerox. Chorei o relógio. Chorei o riso nervoso e o riso sincero. Chorei a falta de choro. Chorei nossas lágrimas. Chorei eu e você. Chorei a presa, a imperfeição e a enrolação. Chorei aquilo que não concordamos. Chorei falta de controle e o controle errado. Chorei o que ficou feio. Chorei o que não condizia. Chorei a tentativa. Chorei como crescemos. Chorei o que ficou feio. Chorei o que não sei. Chorei a beleza. Chorei a felicidade sem tamanho. Chorei o almoço antes aqui em casa. O café e o grito de "merda" que até hoje quer sair, sempre, um pouco mais forte. Chorei a consciência, o encontro. Chorei ter que dar conta. Chorei a aderência. Chorei a confiança. Chorei a gente. Chorei eu.

Chorei a roda, os abraços e carinhos e beijinhos sem ter fim.

Chorei o vinho que tomamos antes.

Chorei o dia seguinte.

Chorei ontem, hoje, vou chorar amanhã e choro em sequência.

Um comentário:

Diogo Liberano disse...

em épocas de contenção dos recursos naturais. é ótimo e lindo ver como somos capazes de produzir rios, mares, afluentes...

chorei ontem. hoje ainda não. mas amanhã. quem sabe?