quarta-feira, 10 de março de 2010

O casulo não mora ao lado.

eu queria abrir meu casulo, mas não o posso fazer. na verdade, não tenho mais um casulo. eu perdi o meu espaço assim que precisei deixar de regá-lo por alguns dias durante a semana. eu perdi meu espaço quando atravessei a ponte no sentido niterói-rio e tudo tranformou-se em definitivo. vim passar meus dias em um apartamento em copacabana, bairro que eu amo e sempre desejei morar. esse apartamento não é meu e as coisas que nele estão posicionadas também pouco dizem de mim. sinto-me bem lá, mas não satisfeito. não fui eu quem escolheu as cores, os móveis e todo o resto. sou amado, compreendido, conversado e interessado. lá aprendi a me preocupar mais com a minha saúde, a ter regras, a conviver com pessoas que são pessoas e se magoam mesmo com a falta de um telefonema. lá aprendi a lavar os pratos, a ter horas para fazer as coisas, a pagar algumas contas, a ir ao banco, a marcar meus médicos e até fazer uns supermercados. amadureci. foi e ainda é um tempo bom. do meu casulo de copa gosto das janelas, do vento forte que passa por lá durante a noite. gosto dos cigarros sempre acesos, da janta quentinha, da farofa com passas, das intermináveis conversas sobre jung, sobre a criança interior, sobre filmes, livros e novelas. gosto do amor que aprendi a cultivar, da maneira em que me sinto querido. a gente em copa é feliz. por outro lado, o coração de copa não permite furos. não permite muitas saídas e, ás vezes, não compreende o tempo dos jovens, o meu tempo. ás vezes não compreende a noite e a bebedeira que não tem e nem deve ter hora para acabar. por esses motivosfui ganhando alguns outros casulos... o primeiro deles foi na urca, mas já passei também por botafogo, largo do machado, vila isabel e outros lugrares. tudo isso pede sempre mochilas, roupa lavada, livros, um peso danado para transportar. um cansaço que é mais intelectual do que físico. o tempo passou e ainda passa e a necessidade de ter um casulo só meu cresce. mas para se ter um casulo é preciso ter dinheiro para sustentá-lo. não o tenho. então parece que vou vivendo assim...com tudo empacotado, tudo em caixas para abrir quando o meu casulo chegar. uma amiga fez a proposta de morarmos juntos em sua casa nova. mas ainda não sei. não sei se seria o casulo ideal, quer dizer, eu não acredito em coisas ideais. mas no momento o que posso dizer sobre isso é que não sei. tenho vontade, estou pensando. o tempo vai dizer as coisas. no mais, tenho dois casulos grandes e alguns pequenos e as caixas. a maior parte das coisas que trouxe de buenos aires não cabem em nenhum desses casulos. talvez , a viagem tenha também contribuido para o aumento desta minha necessidade. quando disse, outro dia, que me faltavam paredes era sobre isso que estava falando. não era poesia nem muito menos uma brincadeira com as palavras. era um fato - cruel e concreto. tenho dois quadros lindos, quatro série de fotografias, alguns posters, mas não tenho onde pendurá-los. acho que vou começar comprando o que posso: prego, martelo e moldura.

3 comentários:

Diogo Liberano disse...

compra um tijolo.

rosaestela disse...

o que faço se sinto o mesmo?

Patrícia Teles disse...

valorizo ainda mais minhas paredes depois de ler o que você escreveu.
o diogo é muito insensível.