terça-feira, 27 de julho de 2010

da sabedoria que é o não saber

eles não sabem da poeira colada aos móveis. não sabem das farpas que entraram nas minhas mãos. não sabem dessa dor incessante na minha coluna. não sabem dos joelhos no chão, nem das esponjas rasgadas. não sabem da areia, dos cabelos, das unhas encontradas. eles não sabem nada. nem do cupim sob a cama. nem do cupim na janela. não sabem dos biscoitos apertados para dentro do pote. não sabem da escova de limpar o vaso sanitário. não sabe de veja, de alcóol, nem de sapólio. não sabem de desinfetante nem de dvds espalhados. eles não sabem absolutamente de nada. não estão aqui. estão para chegar. por isso não sabem. da luz contra a parede para criar clima. das invenções com intuito de decorar. de animar. de criar intimidade. não sabem dos cheiros escolhidos, das toalhas limpas nem da quantidade de lixo que se produzi hoje ao se fazer esta faxina. eles não sabem de nada disso. nem do meu cansaço. nem da escassez de tempo nem do despertador. mas espero que notem. espero que notem. e lavem as louças, antes de sair, que levem com eles os talheres de plástico e que reparem nas paredes. elas estão cheias de buracos. isso é felicidade? isso é família? que noção é essa de união? alguém precisava hoje nos ver assim reunidos. eu tenho medo do que possa ser assim outra vez esta reunião de família.

Um comentário:

Patrícia Teles disse...

uma faxininha básica, era o mínimo!