sexta-feira, 20 de agosto de 2010

sobre os dois textos escritos no dia 20 de agosto

são 03:24hs da manhã do dia 21 de agosto,
não consigo parar de criar caso sobre o que me aconteceu no final do dia 20. Já estou um pouco mais tranquila e achei que deveria ir um pouco mais direto ao ponto, assim me exponho um pouco mais também. Estou com a sensação de estar me expondo pouco e isso não potencializa nosso trabalho de criação em relação a vivência dos acontecimentos, mas se "crio" caso é porque senti necessidade, de jogar um pouco com o acontecido e de fazer crescer outras possibilidades ao entorno, formas diferentes de se falar sobre o mesmo assunto.

Bom, o que vem ao caso é que ontem, a algumas horas atrás, no curso onde estudo teatro e pretendo me formar como diretora teatral, o curso de artes cênicas de habilitação em direção teatral da UFRJ, sofri uma tentativa de boicote ao meu espaço pessoal/coletivo de criação. Quer dizer, nós sofremos, afinal, a regra vale para todos e nesse caso mais ainda para as pessoas com quem estou de mãos dadas construindo e criando. Mas sofremos não só nós criadores, como também aqueles que nos proporcionam nosso fazer criativo e dependem delas. Foi em nome da busca por se fazer teatro que proibiram ele de acontecer, ou pelo menos tentaram, já que não foi possível fazer valer a nossa regra de boicote, tema de hoje, nem rejeitá-la.
Tenho infinitas críticas e argumentos contra essa regra, mas gostaria de colocar aqui aqueles que mais saltam aos olhos e tornam a violência um pouco mais perceptiva para os corpos movidos pelo movimento criativo de um projeto artístico em processo.
A primeira delas é como essa regra de fato fere o meu espaço individual de criação ultrapassando o âmbito da sala de ensaio do projeto em questão, referente a matéria de "direção V". Ela não diz respeito a NENHUM pilar de "formatação" de uma sala de ensaio nos moldes desejados para um primeiro exercício, ou pra qualquer "exercício" acadêmico. A regra simplesmente ultrapassa o âmbito das minhas obrigações como aluna da matéria referente. O que eu faço ou deixo de fazer fora do "espaço" da matéria e a maneira como eu articulo meus fazeres e afazeres dizem apenas respeito a mim, maior de idade e vacinada, principalmente contra grandes ingenuidades em relação ao assunto(pelo menos na tentativa). Aliás, "ingênua" é justamente como me sinto sendo taxada quando me é imposta uma regra tão imperativa e invaziva como a que falo aqui. Ingênua, alguém que não pensou sobre o que faz, não articula suas idéias e propostas, não tem propostas e tomou decisões aleatórias.
Outra crítica é como podem, propor o fazer teatral e impedí-lo simultâneamente. ???? Como é possível? De onde vem isso???? É algo completamente contraditório. Essa busca por um "teatro puro", um processo criativo o mais livre de crises e interferências exteriores pode ser um estupro para o teatro. Se o objetivo for fazer o melhor possível e assegurar uma criação mais potente, então, não proteja tanto, é o que penso. Desculpe professores, mas o argumento de que essa "regra" não é aleatória e sim matematicamente analisada e pensada não cola pra mim e me uma certa pena, além do medo de ter que trabalhar em um ambiente com essa bandeira e tantas outras levantadas, bandeiras em busca de verdades absolutas. Não que essa "construção racional" seja necessáriamente ruim, mas a valorização disso talvez, pois dessa forma colocamos a intuição em segundo lugar, bloqueando o espaço para o aleatório, não permitindo a crise, a confruência de "compartilhados". Aí não há teatro que se baste. Talvez não haja arte que se basta. Me parece que é justamente nesse compartilhar que a vida ganha novas ressonâncias entre recortes e diferentes formas de expressão.

Não falei até agora do que se trata a regra e não gostaria de falar por agora, pois ela ainda me soa tão absurdamente ilusória, ainda prefiro me reter as circunstâncias e as consequências trazidas, que acredito que devem estar sempre em observação e discussão e o significado disso tudo também não expresso com clareza aqui pois está, em parte, colocado nos dois textos publicados no dia 20.

Bom, por enquanto o que me cabe ainda é a sensação de estar refém e desaltorizada por autoridades aparentemente confusas. Vou continuar esperando e tentando me controlar nessa espera.

Vejo ainda algum resquício de inteligência e sensibilidade por parte de quem está a cima das decisões.

Hoje foi um pouco mais difícil, falei um pouco o que não gostaria de ter falado, entre acusações e julgamentos, mas o amor em alguns momentos impede a cabeça de racionalizar mesmo, aí vem o impulso, a exposição pela intuição, a abertura de novos espaços para o diálogo e a evolução.
Por se falar em evolução, se isso é o que é ambicionado, peço apenas espaço sobre meu tempo.

dobre os dias de hoje

é sobre ela, ele. Ela nele, eles nela, ele e ela ele e ela e ele quando foi atrás dela correndo ao vê-la sair correndo em soluços deixando algumas lágrimas partidas no meio do caminho sentiu uma dor dessa vez impossível de se reter entre mais algumas horas de fuga, quando saía por aí depois de um "tchau" se procurando entre imagens da cidade, construindo suas velhas e novas trajetorias em seus pensamentos que não podiam ser tocados por ela.
Ele foi atrás, correu no segundo que passou por sua cabeça a possibilidade de não vê-la mais, tomou ar no segundo em que pensou que estava distante dela e não sabia o que seria possível ela fazer com tantas lágrimas e parou no segundo em que a viu, sentada no meio fio tentando se recuperar. Sentou-se ao seu lado na tentativa de dividir a dor, queria só tentar dar jeito, por um segundo. Isso era o que importava naquele momento e talvez por isso possa chamar tudo aquilo de "momento". Ele não sabe. Não sabe sobre o que se dá e de repente em seu momento de dor dividida entre eles falou: ei, não vai se angustiar sozinha.
Ela agora além de se mover por lágrimas se movia através de um corpo meio descontrolado, tremido. Ela tremia. Ele quis segurá-la, mas sabia que talvez fosse melhor deixá-la se entender com seus movimentos para tentar extrair um pouco daquilo
que precisava saber para dar-lhes alguma espécie de sentido.
Ele então perguntou o que ela sentia e ela disse: medo.

trocaram algumas palavras divididas e entrecortadas, mas houve um momento em que ele falou um pouco mais para que ela pudesse recuperar sua respiração enquanto o escutava com atenção.

Depois ela buscou um pouco em outros, havia uma espécie de falta tentando entender um pouco o por que dele não ter segurado ela quando tremia de medo, mas logo em seguida ele resolveu caminhar um pouco mais e estendeu seu percursso pelo dela. A imagem através da qual ele se percebia agora era a dela em sua trajetória, dessa vez dividida. No final, quando os dois pararam, no momento da separação do caminho pra casa ele segurou sua mão e perguntou se podia falar algo para ela, que estava no telefone com outro, o que a impediu de perceber a caminhada dele ao lado dela. Ela então pediu um minuto no telefone. Sentiu sua mão sento segurada e escutou ele falar com os olhos molhados sobre a beleza do amor que havia visto em seus movimentos. Era isso que havia ficado para ele, foi isso que ficará para eles e poderá ser compartilhado se for a eles permitido fazer um tanto de teatro, serem arrebatados e criarem arremedos pela passagem de uma grande dor.

a volta dos que não foram

me violenta porque é abusivo, me violenta porque falava sobre aquilo que era genuíno em nós da maneira mais trabalhada e retalhada possível. Me violenta porque as palavras se confundem no momento de nossa explosão. Me violenta porque era tudo que eu mais queria no mundo, naquele momento e você? você? Você falou por cima, calou por cima. me VIOLENTA PORQUE SE CALA POR CIMA. me VIOLENTA PORQUE CALAM-SE. Me violenta porque quando eu me exponho você resolve usar isso a seu favor e não percebe que assim você está se expondo muito mais, da sua forma mais cruel. Me violenta PRINCIPALMENTE porque não falamos daquilo que de fato importa. NÃO FALAMOS DO MOTIVO REAL DE TODO ESSE AUÊ. MEU DEUS, OLHA O QUE NÃO FALAMOS, E ISSO me violenta ainda mais. Me violenta o tom sóbrio e inabalável quando tudo que falamos tem como tema nossas afetações, me violenta quando você não reconhece, me violenta quando você não me reconhece. Me violenta o outro, no mesmo lugar que eu. A falta de corpo, a falta de olho a falta de escuta, de presença, achar que sabe, que reconhece, me violenta, não poder. Me violenta o seu poder absurdo, imaturo, sem graça, disfarçado. Me violenta saber que isso estava distante de você mas você o colocou tão perto precisamente no momento de sua dor. Me violenta você não sentir usa dor. Porra! Mostra ela pra mim, me violenta vai! Sem saber, talvez aí possamos ter alguma espécie de compartilhamento sincero. De troca. Me violenta a falta de troca, não só comigo...e isso me violenta ainda mais. Será que você não percebe que não queria te acusar desse jeito?? Não vê que se te julgo me julgo por isso? Isso me violenta e só preciso que você escute o que eu estou falando pensando um pouco mais em ação, isso me violenta, a falta. O caso é urgente e me violenta o outro vir me perguntar o que eu estava sentindo e você nem saber sobre isso, sobre aquilo. Me violenta você não saber disso, me violenta a dor que você sente ao ver minhas lágrimas e achar que elas são por você e não por mim, digo, por outros. Me violenta a falta de outros, a falta de mim, o excesso de você.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Me violenta o amor bêbado que se esconde no ir e vir de copos para revelar-se.

Vem logo
Vem curar teu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia...

mandaram eu me calar mas eu falei

Oficineiros,


Esse e-mail é um desabafo pois fiquei extremamente chateada hoje. Em algum momento o meu discurso pareceu pejorativo? Em algum momento tratei o assunto com deboche?

Ficou claro pra mim que a questão é estritamente pessoal. Somos avisados que temos espaço para expor nossas dúvidas, problemas, dificuldades e quando isso acontece apontam nossos defeitos de maneira agressiva ou irônica. Me pergunto o que é isso, despreparo? Frustração?

Parece que reina a lei do silêncio entre nós, estamos todos visivelmente cansados e insatisfeitos e com o dedo apontado pra nós como responsáveis pelo mau andamento da cena. Não quero fazer apologia a discussão, ao contrário ficou claro pra mim que não temos espaço para o diálogo, assim como a maioria vou adotar a postura do silêncio. Mas não posso deixar de desabafar que me entristece a opção que o grupo tomou de não se expor.

Sei que eu posso não permanecer no processo, mas essa não é uma questão pra mim, não vou desistir na metade do caminho, não é porque eu não confio no direcionamento que estamos recebendo que vou abandonar o que eu construí até aqui. Se tendemos ao fracasso terei o prazer de fracassar com vocês.

Não é meu intuito levar o assunto a diante por isso encaminho apenas para os atores. Sei das conseqüências que a má interpretação desse e-mail pode trazer e não quero de forma alguma que vire polêmica, mas tenho a necessidade de falar, mesmo que pela última vez, pois me senti hostilizada hoje.

P.T.